Sirynge-Free ou Wire-in-Needle: a nova técnica de punção central!

Desde 1952 quando o Radiologista Sven Ivar Seldinger apresentou sua famosa técnica pela primeira vez, praticamente não houve mudança da sequência:

  1. Punção com seringa conectada à agulha
  2. Retirada da seringa e passagem do fio guia
  3. Retirada da agulha mantendo o fio guia
  4. Passagem do dilatador sobre o fio guia
  5. Colocação do cateter
  6. Retirada do fio guia
  7. Fixação do cateter

Esses 7 passos básicos da punção por marcos anatômicos são perfeitos para essa técnica, mas com o advento da punção guiada por ultrassom, precisaram de ajustes.

Qual a grande diferença entre as técnicas?

Com o ultrassom visualizamos a agulha atravessando todas as camadas até perfurar a parede anterior da veia e posicionamos o bisel no lúmen do vaso.

Apesar da incorporação do uso do ultrassom, que permite visualizar tudo que acontece abaixo da pele, muitos ainda ficam presos à sequência básica dos marcos anatômicos… Se você usa ultrassom para puncionar, você tem que pensar fora da “caixa”!

  1. Preciso realmente aspirar sangue com a seringa para testar se a agulha está na veia?
  2. Preciso deixar o transdutor de lado para desconectar a seringa e passar o fio guia?
  3. Depois de colocar o cateter, preciso ver refluxo de sangue no equipo para avaliar o refluxo?

Pra ficar bem claro:

NÃO PRECISA DE NADA DISSO!

SE FOR USAR O ULTRASSOM, ESSAS ETAPAS SÓ ATRASAM E ATRAPALHAM!

Naturalmente, com a experiência acumulada em inúmeras punções, um pouco de autoavaliação e busca por melhorias, percebe-se que algumas etapas são desnecessárias. Alguns autores publicaram pelo mundo as modificações que os mais experientes já faziam a tempo. Chamaram essa nova técnica de “Sirynge-Free” ou “Wire-in-Needle”.

Explicando melhor… Para usar o ultrassom, a mão não dominante controla o transdutor e a outra mão faz a punção. Ao atingir a veia, é preciso deixar o transdutor de lado para que, com as duas mãos, seja feita a desconexão da seringa com a agulha e introdução do fio guia na agulha. Essa manipulação é feita às cegas, tal qual na antiga técnica de Seldinger, esse é um momento crítico pois pode haver a saída acidental do bisel do lúmen da veia e não se conseguir passar o fio guia.

Por que não usar o ultrassom nessa etapa? Se tenho uma tecnologia que me permite ver embaixo da pele, por que fazer isso às cegas?

Então, para isso a primeira coisa a fazer é deixar a seringa de lado (Sirynge-Free), conectar o porta-guia na agulha e introduzir o fio guia de forma que o bisel continue livre para permitir a punção (Wire-in-Needle). Assim, sem seringa, a agulha é introduzida sob visualização ao ultrassom até a colocação do bisel na veia, seguido imediatamente da introdução do fio guia que já se encontra dentro da agulha. Tudo isso de olho na tela do ultrassom, vendo a agulha passar e o fio guia também!

 

E agora que você viu a agulha e o fio guia entrarem na veia, tem dúvida que puncionou a veia? Será que não puncionei a artéria? Preciso aspirar sangue?

Lembre-se que você tem o ultrassom na sua mão! Passe o ultrassom novamente, fazendo um rastreamento venoso desde a entrada do fio guia na pele até a sua entrada no vaso, faça a compressão com o transdutor e avalie se esse vaso colaba facilmente ou se há pulsação.

Essa etapa de verificação do fio guia é outra inovação técnica de segurança e deve ser feita SEMPRE antes da dilatação. NÃO SE DEIXE ENGANAR, há superposição entre veia e artéria em 30% das vezes nas jugulares e até 65% nas femorais, uma dilatação inadvertida da artéria pode ser fatal. SEMPRE VERIFIQUE A ENTRADA DO FIO GUIA NA VEIA ANTES DA DILATAÇÃO.

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GustavoRCF

Médico com residência em Cirurgia Geral, Terapia Intensiva e Título AMIB de Terapia Intensiva.

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